“Eu falo e parece que ele não escuta.”
Essa é uma queixa frequente em relacionamentos nos quais o TDAH está presente. A esposa fala, espera uma resposta e percebe que o marido está olhando para o celular, pensando em outra coisa ou simplesmente não consegue acompanhar a conversa.
A primeira interpretação costuma ser emocional:
“Ele não se importa comigo.”
Mas o comportamento pode ter outra explicação.
O TDAH pode envolver dificuldades de atenção sustentada, controle da atenção e funções executivas. Isso significa que estar fisicamente presente não garante que a atenção permanecerá direcionada à conversa durante todo o tempo.
Atenção não é a mesma coisa que interesse
Um dos erros mais comuns é interpretar a dificuldade de atenção como falta de interesse.
O homem pode amar a esposa e, ainda assim, perder o foco durante uma conversa.
Pode considerar determinado assunto importante e, mesmo assim, esquecer parte do que foi combinado.
Pode querer cumprir uma tarefa e não conseguir iniciar ou concluí-la como pretendia.
Isso não significa que o comportamento não tenha consequências.
A esposa pode se sentir ignorada.
Pode ficar frustrada.
Pode começar a repetir as mesmas orientações várias vezes.
E é justamente nesse ponto que o problema pode aumentar.
Quando a cobrança vira um ciclo
Imagine a seguinte sequência:
Ele se distrai → ela cobra → ele se sente pressionado → ele se afasta → ela entende como desinteresse → aumenta a cobrança.
Depois de algum tempo, os dois passam a reagir mais àquilo que esperam do outro do que ao que realmente está acontecendo naquele momento.
Ela pensa:
“Preciso cobrar, senão ele não fará.”
Ele pensa:
“Ela nunca está satisfeita com o que faço.”
O relacionamento começa a funcionar em torno da cobrança e da defesa.
O que pode ajudar?
O objetivo não é simplesmente pedir que o homem com TDAH “preste mais atenção”.
É necessário criar condições que facilitem a atenção.
Conversas importantes podem acontecer sem televisão ou celular por perto.
Pedidos podem ser objetivos e específicos.
Compromissos importantes podem ser registrados em um calendário compartilhado.
Tarefas podem ser divididas em etapas menores.
E, principalmente, o próprio homem precisa participar da construção dessas estratégias.
Não é responsabilidade da esposa tornar-se fiscal permanente do marido.
TDAH não é desculpa
Compreender o TDAH não significa aceitar desrespeito, agressividade ou irresponsabilidade.
O diagnóstico ajuda a compreender determinadas dificuldades, mas não elimina a responsabilidade pelo comportamento.
O homem precisa reconhecer suas dificuldades e desenvolver mecanismos para compensá-las.
A esposa, por sua vez, precisa evitar transformar cada falha em uma prova de que não é amada.
O caminho está entre os dois extremos:
nem culpar tudo pelo TDAH, nem ignorar o impacto que o TDAH pode produzir.
O que realmente precisa mudar
O casamento precisa sair da pergunta:
“Por que ele não consegue ser como os outros?”
e entrar em outra:
“Como podemos organizar nossa relação considerando a forma como ele funciona?”
Quando o casal compreende o TDAH, cria estratégias concretas e mantém a responsabilidade de cada adulto, a dificuldade deixa de ser uma acusação permanente e passa a ser um problema que pode ser administrado em conjunto.
O TDAH pode fazer parte do casamento. Ele não precisa governar o casamento.
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Desejo a você e sua família uma semana na Graça
Desejo a você e sua família uma semana na Graça.
Valcelí Leite (@ValceliLeite) é Psicanalista, Teoterapeuta (Terapia Cristã), Terapeuta Familiar Sistêmico e Pastor, atual presidente da ABRATHEO (Associação Brasileira de Teopsicoterapia), com formação em Fisioterapia e pós-graduações em Terapia Familiar Sistêmica, Cognitive Behavioral Therapy – TCC, e MBA em Teoterapia e Competência Emocional. Atua como teopsicoterapeuta com orientação a casais e famílias. Palestrante sobre temas como Educação de Filhos, Internet e Vida Conjugal, Ciência do Bem-estar e Como Evitar a Ansiedade. Ex-superintendente em instituição filantrópica, com gestão em treinamento de liderança, formação de equipes e palestras motivacionais em quatro estados brasileiros e mais de 30 cidades.













