Treinamento irá aprimorar metodologia, compartilhar experiências e ampliar o impacto da assistência técnica e gerencial no campo paulista
Quase 100 profissionais ligados a 77 Sindicatos Rurais paulistas iniciaram, nesta segunda-feira (17), uma semana de capacitação, atualização e troca de experiências para fortalecer a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) no estado de São Paulo. Promovido pelo Sistema Faesp/Senar, o encontro tem como objetivo aperfeiçoar a aplicação da metodologia e preparar as equipes para identificar, dentro de cada propriedade, soluções capazes de elevar a produtividade, melhorar a gestão e, principalmente, ampliar a renda e garantir a permanência dos produtores no campo.
Na abertura, o presidente do Sistema, Tirso Meirelles, destacou que a capacitação deve preparar os profissionais não apenas para aplicar uma metodologia, mas para compreender as particularidades de cada propriedade. Ele incentivou os participantes a aproveitarem a presença de especialistas para esclarecer dúvidas e aprofundar conhecimentos. “Saiam daqui craques, preparados para perceber no campo a real necessidade do produtor. Vocês têm uma metodologia, mas ela não pode ser rígida. Às vezes surge um fato novo, uma oportunidade, uma informação que pode melhorar aquele atendimento. Precisamos estar atentos. É um processo de aprimoramento contínuo”, afirmou.
A proposta da ATeG é justamente unir conhecimento técnico e ferramentas de gestão para que cada propriedade seja analisada de acordo com sua realidade produtiva e econômica. O professor catarinense Erno Menzel, que atua com assistência técnica desde 1992, é autor de livros sobre o tema e especialista do Senar Nacional, ressaltou o potencial transformador do programa. Segundo ele, a ATeG encurta o caminho entre o conhecimento e sua aplicação prática. “Para transformar sua realidade, o produtor precisaria buscar muito conhecimento, fazer cursos, graduação e especializações. Com a ATeG, todo esse conhecimento chega direcionado à realidade dele. O técnico conhece a propriedade e entrega aquilo de que o produtor realmente precisa. É um caminho mais curto para o desenvolvimento”, explicou.
O gerente da área técnica do Senar-SP, Jair Kaczinski, reforçou que a capacitação presencial também permite conhecer as diferentes realidades encontradas pelos profissionais nas regiões paulistas. Mais do que discutir técnicas, segundo ele, o encontro possibilita ouvir quem está diariamente nas propriedades, identificando dificuldades e oportunidades. Kaczinski adiantou ainda que está em desenvolvimento uma parceria com o Sebrae para a realização de 90 turmas de ATeG, que se somarão às iniciativas já conduzidas pelo Senar-SP, ampliando o alcance da assistência no Estado.
O fortalecimento da ATeG integra uma estratégia mais ampla do Sistema Faesp/Senar para modernizar e dar maior sustentabilidade econômica e social às propriedades. Entre as iniciativas destacadas por Kaczinski está o Integrar, projeto de mapeamento da força de trabalho e da realidade agropecuária paulista. Somam-se a ele os sete Centros de Excelência projetados em diferentes regiões do estado e os polos de saúde desenvolvidos em parceria com o Einstein Hospital Israelita, com atenção especial à prevenção e à qualidade de vida de produtores e trabalhadores rurais.
Para a coordenadora da ATeG no Senar-SP, Ingryd Lanna, o treinamento representa um “marco zero” de uma nova etapa do programa. Acompanhada dos analistas Caroline Capossi, Paulo Globo e Maria Duarte, ela ressaltou que a missão é oferecer uma assistência cada vez mais qualificada e próxima do produtor. “Nossa meta é aumentar a produção e a renda. É isso que buscamos dentro da propriedade durante as visitas presenciais. Mas a ATeG também exige desenvolvimento profissional: é preciso saber comunicar, entender a realidade e saber como chegar ao produtor”, destacou.
Essa relação de confiança entre técnico e produtor é um dos pilares da metodologia. A ATeG não se limita a indicar o que plantar ou como produzir. O trabalho envolve diagnóstico da propriedade, planejamento, acompanhamento de indicadores técnicos e econômicos e avaliação dos resultados, permitindo que decisões antes tomadas apenas com base na experiência ou na intuição sejam apoiadas por informação, gestão e acompanhamento profissional.
O técnico Pedro Henrique Baleares conhece essa realidade de perto. Há cerca de um ano atende produtores de Casa Branca, cidade onde nasceu e cresceu observando as dificuldades provocadas pela falta de acesso à informação especializada. Depois de se formar em Agronomia e ingressar no programa, passou a enxergar na assistência técnica uma ferramenta concreta de transformação. “A ATeG caiu como uma luva em um momento de necessidade, tanto da minha vida quanto dos produtores da minha cidade. Hoje vejo a importância desse trabalho”, afirmou.
Baleares cita como exemplo produtores que começaram em pequena escala, com cerca de 600 pés de jiló, e que, com acompanhamento técnico e gerencial, conseguiram ampliar suas atividades para 400 hectares e transformar a produção em fonte consistente de renda. Para ele, os resultados demonstram que levar conhecimento até a porteira significa muito mais do que aumentar a produtividade: significa oferecer condições para que famílias rurais possam crescer, investir e enxergar perspectivas dentro da própria atividade.













