As profundas transformações socioeconômicas do gigante asiático foram o tema central do episódio #403 do podcast ‘Chutando a Escada’, intitulado ‘A China que o ocidente não conta’. O programa contou com a participação dos diretores do Unity Global, os professores Thaís Caroline Ataíde Lacerda e Marcos Cordeiro Pires, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Durante a conversa, os acadêmicos analisaram como a nação chinesa consolidou sua posição na economia global e estruturou suas diretrizes de desenvolvimento e modernização a partir de parcerias institucionais e reflexões teóricas próprias.
Com uma trajetória dedicada aos estudos asiáticos há quase duas décadas, o professor Marcos Cordeiro contextualizou o ritmo acelerado de modernização do país e as densas redes de cooperação construídas entre o meio acadêmico brasileiro e asiático. “Estudo a China desde 2005 e fiz minha primeira viagem ao país em 2007, testemunhando de perto uma nação que se moderniza rapidamente, amplia a participação econômica da sua população e, nos últimos 20 anos, se consolida como a segunda grande turbina da economia mundial”, destacou o docente.
A professora Thaís Caroline Ataíde Lacerda relembrou suas primeiras experiências teóricas e empíricas com o país, ressaltando o valor de romper com preconceitos ideológicos e narrativas ocidentais. “Eu sou fruto dessas parcerias acadêmicas e fui pela primeira vez à China em 2012 para fazer um curso de verão pelo Instituto Confúcio, quando no meu imaginário ainda vigorava aquela visão sobre o país construída predominantemente pelos meios ocidentais”, explicou a pesquisadora.
Modelos de desenvolvimento e o Sul Global
Ao abordarem o papel da ciência e das universidades na formulação de políticas públicas, os docentes detalharam o funcionamento das diretrizes estatais chinesas, expressas nos chamados livros brancos, e a articulação das empresas sob orientação do planejamento governamental. “A pesquisa acadêmica na China funciona tentando contribuir diretamente com ideias que garantam o desenvolvimento do país, inclusive orientando ações governamentais por meio dos livros brancos em áreas estratégicas como inteligência artificial, segurança e comércio internacional”, salientou Marcos Cordeiro.
A centralidade do Partido Comunista Chinês e a busca por autonomia teórica em relação aos modelos eurocêntricos também foram destacadas pela professora Thaís, que defendeu a aproximação com referenciais locais e com a agenda do Sul Global. “Para compreender a projeção internacional da China e o próprio papel do Partido Comunista como espinha dorsal daquela sociedade, foi necessário me aproximar do pensamento chinês tradicional e afastar as teorias eurocêntricas que tentam ditar o modelo de desenvolvimento do país”, afirmou a professora.
Os pesquisadores ressaltaram que a consolidação de alianças multinacionais, a integração via BRICS e o fomento ao diálogo acadêmico entre a América Latina e a Ásia são passos cruciais para compreender uma nova ordem mundial em transformação.
A participação completa dos docentes e o debate aprofundado sobre a relevância da indústria e da tecnologia na China contemporânea já estão disponíveis no episódio do podcast, no link a seguir: https://open.spotify.com/













