Clonagem de pets: quando a ciência tenta driblar a despedida

Cachorro clonado ‘Sooam Biotech Research Foundation’

Você já imaginou clonar seu pet? Para algumas pessoas, essa possibilidade deixou de ser apenas imaginação e passou a fazer parte da realidade. A clonagem de animais de estimação vem ganhando espaço sobretudo entre celebridades e provoca uma discussão que vai além da ciência: envolve afeto, luto e os limites da tecnologia. 

O processo de clonagem animal tem como objetivo criar um indivíduo geneticamente idêntico ao original. A lógica é semelhante à dos gêmeos idênticos, que compartilham o mesmo DNA.

Para entender melhor como esse universo funciona, o Canal do Pet entrevistou a médica-veterinária Aressa Penna, que explicou que a técnica mais utilizada envolve a transferência do material genético de uma célula do animal original para um óvulo doador. A partir desse procedimento, forma-se um embrião, que é implantado em uma fêmea receptora, responsável pela gestação e pelo nascimento do clone.

Médica veterinária Aressa Penna fala sobre os limites da tecnologiaAressa Penna

Apesar de os clones compartilharem o mesmo DNA do animal original, isso não significa que terão a mesma aparência ou hábitos. Fatores como ambiente, criação e experiências ao longo da vida exercem influência direta no desenvolvimento do animal. A veterinaria explica o porquê dessa diferença. 

No vídeo, a médica-veterinária Aressa Penna explica por que a clonagem animal não resulta em uma cópia perfeita e quais fatores vão além do DNA.

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Mesmo com a carga genética idêntica, o resultado não é uma reprodução fiel do pet que morreu.

“Apesar de ser possível que ele carregue informações como condições ou doenças que estejam relacionadas a um forte componente genético, não necessariamente elas vão se desenvolver, porque isso também dependeria da interação do indivíduo com o ambiente e fatores biológicos”, ressalta a veterinária Aressa Penna.

A personalidade se mantém a mesma?

E quanto à personalidade, ela se mantém a mesma? A veterinária nos explica que não, já que outros fatores ajudam a desenvolver a personalidade de um animal, para além do DNA. 

” Bom, embora o clone carregue exatamente o mesmo DNA do indivíduo original, a epigenética faz com que ele seja um indivíduo totalmente à parte. Assim, apesar de ser possível que ele carregue informações como condições ou doenças relacionadas a um forte componente genético, isso não significa que elas necessariamente vão se desenvolver, pois esse processo também depende da interação do indivíduo com o ambiente e com outros fatores biológicos. “

A médica-veterinária Aressa Penna explica por que um animal clonado pode desenvolver comportamentos e personalidade diferentes do pet original, mesmo compartilhando o mesmo material genético.

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Famosos que clonaram seus pets 

Casos envolvendo personalidades públicas ajudaram a popularizar a prática e trouxeram o tema para o centro do debate.

Tom Brady

Tom Brady e Lua, cachorra que foi clonada pelo jogadorFacebook

O ex marido de Gisele clonou a Lua, uma cadela integrante da família. O ex-casal adotou o animal durante o casamento e o jogador de futebol frequentemente publicava fotos dela nas redes sociais. Em dezembro de 2023, Gisele anunciou a morte de Lua no Instagram. Hoje, Tom é tutor de Junie, o clone de Lua. 

Barbra Streisand

Cachorros clonados de Barbara Streisand Instagram

Pouco antes da morte de Samantha, sua cadela, em 2017, Barbra Streisand retirou células da boca e do estômago do animal. A partir desse material genético, a cantora clonou sua cachorra não uma, mas duas vezes. As filhotes Miss Violet e Miss Scarlet são clones de Samantha.

Javier Milei

Javier Milei mostra seus cachorros clonadosYouTube

O presidente da Argentina, Javier Milei, clonou, em 2018, seu mastim inglês Conan. Segundo informações repassadas à CNN por duas empresas especializadas dos Estados Unidos que participaram do procedimento, o processo resultou em cinco filhotes clonados. 

Debate ético e bem-estar animal 

Apesar da recente popularização, a prática da clonagem levanta questionamentos éticos relacionados ao bem-estar animal, uma vez que o processo envolve procedimentos invasivos, como a coleta de óvulos e a gestação por fêmeas receptoras. 

“Além disso, há o risco de reduzir a singularidade da relação com aquele animal vivido, transformando um vínculo único em algo replicável. No entanto, trata-se de uma elaboração muito pessoal e individual.”

Do ponto de vista do bem-estar animal, a clonagem levanta alertas importantes: altas taxas de falha, gestações de risco, sofrimento das fêmeas. No vídeo, a especialista explica por que essa prática ainda gera tantas preocupações éticas e científicas.

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Além disso, o custo da clonagem que pode ultrapassar milhões de dólares, o que intensifica críticas sobre a destinação de recursos em um cenário no qual milhões de cães e gatos aguardam adoção em abrigos.

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