Reduzindo as jornadas de trabalho: em prol de quê?

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Introdução – Trabalhar Menos Para Viver Melhor ou Apenas Produzir Diferente?

Nos últimos anos, muito se fala sobre redução da jornada de trabalho. O debate costuma girar em torno de produtividade, economia e qualidade de vida. Mas uma pergunta raramente é feita de forma honesta: Reduzir a jornada de trabalho em prol de quê, exatamente?

Se a redução do tempo laboral não for acompanhada de uma reorganização psíquica, familiar e emocional, corre-se o risco de apenas trocar o excesso de trabalho por outras formas de adoecimento silencioso.

A partir da psicanálise aplicada à vida cotidiana, da teopsicoterapia e da observação clínica, três focos precisam estar no centro desse debate:

1. Tempo real com a família

2. O lugar do marido como homem da casa

3. O cuidado emocional como responsabilidade, não como luxo

1. Redução da Jornada e o Tempo com a Família: Presença Não É Apenas Estar em Casa

Do ponto de vista da psicanálise, o maior dano do excesso de trabalho não é o cansaço físico, mas a ausência simbólica. Muitos pais e mães até estão em casa, mas emocionalmente indisponíveis, mentalmente exaustos ou deslocados.

Reduzir a jornada de trabalho só faz sentido se resultar em:

• Presença emocional

• Conversa estruturada

• Convivência sem telas como mediadoras constantes

• Exercício real da função parental

Tempo com a família não é descanso passivo. É investimento psíquico.

Famílias adoecem não pela falta de dinheiro, mas pela falta de vínculo estruturado.Quando o trabalho ocupa tudo, a casa vira apenas dormitório. Quando o tempo retorna, surge uma pergunta incômoda:sabemos conviver uns com os outros?

2. O Marido como Homem da Casa: Liderança Não É Autoritarismo, É Estrutura

Um ponto quase sempre evitado nesse debate é o impacto da jornada excessiva sobre o papel do marido como homem da casa.

Na clínica, observa-se com frequência:

• Homens ausentes emocionalmente• Liderança doméstica terceirizada ou inexistente

• Lares sem referência masculina clara• Esposas sobrecarregadas

• Filhos sem limites estruturantes

A psicanálise é clara: a função masculina não se resume a prover financeiramente. Ela envolve:

• Direção• Limite

• Proteção emocional

• Presença simbólica

Quando a jornada de trabalho consome o homem, ele até provê, mas não governa o lar.

E toda casa sem governo saudável entra em desorganização emocional.

Reduzir a jornada de trabalho, nesse sentido, é devolver ao homem:

• Tempo para exercer liderança

• Responsabilidade afetiva

• Alinhamento conjugal

• Autoridade construída, não impostaUm lar não precisa de um homem cansado e ausente, mas de um homem presente, consciente e responsável.

3. Cuidado Emocional: O Que Fazemos Com o Tempo Que Ganhamos?Aqui está o ponto mais negligenciado: o cuidado emocional.

Sem cuidado emocional, mais tempo livre pode significar:

• Mais conflitos

• Mais irritabilidade

• Mais uso de álcool, telas ou fuga

• Mais vazio existencial

A psicanálise do trabalho mostra que muitos usam a rotina exaustiva como forma de evitar contato consigo mesmos. Quando o trabalho diminui, surgem:

• Ansiedades reprimidas

• Frustrações conjugais• Conflitos familiares antigos

• Crises de identidade

Por isso, reduzir a jornada sem investir em saúde emocional é apenas adiar o colapso.Cuidar da saúde emocional envolve:

• Reconhecer limites psíquicos

• Desenvolver maturidade afetiva

• Buscar acompanhamento terapêutico quando necessário

• Reorganizar prioridades internas

Na perspectiva da teopsicoterapia, o descanso não é fuga, mas restauração. Tempo livre precisa ser tempo de integração, não de dispersão.

Conclusão – Menos Trabalho, Mais ResponsabilidadeReduzir a jornada de trabalho não é uma solução mágica. É uma oportunidade.Uma oportunidade de:• Reconstruir vínculos familiares

• Restaurar o papel do marido como homem da casa

• Assumir responsabilidade pelo cuidado emocionalSem isso, a redução do trabalho se torna apenas uma mudança estética, não estrutural.

A pergunta final permanece — e precisa ser enfrentada por cada família, cada homem, cada casal:nSe trabalharmos menos, viveremos melhor… ou apenas de forma mais desorganizada?

A resposta não está na carga horária, mas na maturidade emocional, espiritual e relacional com que esse tempo será vivido.

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Desejo a você e sua família uma semana na Graça.

Valcelí Leite (@ValceliLeite) é Psicanalista, Teoterapeuta (Terapia Cristã) e Pastor, atual presidente da ABRATHEO (Associação Brasileira de Teopsicoterapia), com formação em Fisioterapia e pós-graduações em Terapia Familiar Sistêmica, Cognitive Behavioral Therapy – TCC, e MBA em Teoterapia e Competência Emocional. Atua como teopsicoterapeuta com orientação a casais e famílias. Palestrante sobre temas como Educação de Filhos, Internet e Vida Conjugal, Ciência do Bem-estar e Como Evitar a Ansiedade. Ex-superintendente em instituição filantrópica, com gestão em treinamento de liderança, formação de equipes e palestras motivacionais em quatro estados brasileiros e mais de 30 cidades.

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