Por Cris Silva
No episódio 45 do podcast Empodera Aí, Cris!, recebi duas convidadas que parecem personagens de livro, mas são absolutamente reais: Sarah Kiesse de 11 anos, e Maria Eduarda, a Dudinha,de 8anos
Elas são irmãs, escritoras, palestrantes, influenciadoras mirins e, pasmem, já leram mais de 400 livros. Já falaram para mais de 1.700 pessoas em escolas, universidades e até em turmas de Direito e Medicina da Unimar. E, mesmo assim, continuam fazendo o que toda criança deveria fazer: brincar, ralar o joelho, subir em árvore, dar risada e inventar moda na rua.
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Tudo começou quando a Sarah dava “aula” para as bonecas. Colocava todas enfileiradas e repetia o que aprendia na escola, nos desenhos, no parquinho. Só que as bonecas não respondiam. Até que chegou à “bonequinha” que falava, ria, errava e corrigia junto: a irmã caçula, a Dudinha.

As duas começaram gravando vídeos simples de inglês. O pai, leitor voraz e hoje escritor, ainda nem sabia editar. Se errasse uma palavra, gravava tudo de novo. Entre erros, crises de riso e cenas regravadas, nasceu muito mais do que conteúdo: nasceu propósito.
A diretora de uma escola em Guaimbê viu os vídeos e convidou as meninas para palestrar. A primeira palestra veio quando a Sarar quando tinha 7 anos e a Duda, 4. Depois vieram o Teatro Municipal lotado, a aula sobre dignidade da pessoa humana para Direito, igualdade racial para Medicina e muitos outros encontros.
O segredo por trás de 400 livros
Quando pergunto de onde vem tanto conteúdo, a resposta é simples: de casa. O pai já leu mais de dois mil livros só de teologia. A mãe também lê, incentiva, conta histórias, acompanha. A leitura virou rotina, não obrigação.
Na escola anterior, um sistema chamado Elefante Letrado estimulava a leitura com jogos e recompensas. Só ali, Sarah leu 125 livros em poucos meses. Em casa, mergulha de Sherlock Holmes a coletâneas filosóficas para crianças. Dudinha se encantou com Bell Hooks e com a ideia de que meninas podem, sim, pensar, questionar e construir um futuro diferente.
O recado das meninas para os pais é direto:
“Não adianta o pai e a mãe ficarem só no celular e exigirem que o filho leia. Pai é exemplo. Se você quer um filho leitor, comece lendo você.”
Minha Amiga Internet: navegar é bom, mas ser criança é bem melhor
Da soma entre leitura, reflexão e rotina em família, nasceu o livro “Minha Amiga Internet: navegar é bom, mas ser criança é bem melhor”, baseado na palestra das meninas.
Elas não demonizam a tecnologia. Aprenderam cedo que a internet pode ser amiga ou vilã, dependendo do uso. Na visão da Sarah, quem tem que influenciar a internet é a criança e não o contrário. Se for usada com consciência, vira aliada; se ocupar todo o tempo, rouba a infância.
Por isso, elas equilibram: dão palestras, gravam alguns conteúdos e, no resto do tempo, sobem em árvore, brincam de queimada, andam de bicicleta, fazem carrinho de rolimã e colecionam cicatrizes cheias de história. Elas lembram, com o próprio corpo, que infância boa tem terra no pé, riso solto e joelho ralado.
Um puxão de orelha com voz doce
Em meio a tanta maturidade, o que mais me toca é que elas não esqueceram de ser crianças. E é justamente por isso que conseguem falar de temas sérios, como limites no uso de telas, racismo, igualdade e responsabilidade digital com tanta leveza.
Quando pedi que deixassem uma mensagem para as crianças do mundo e também para os adultos que esqueceram da própria criança interior a resposta da Sarah foi um abraço em forma de frase:
“Todo mundo tem uma criança dentro de si. Nunca deixem essa criança sair. Brinquem, respeitem seus pais e professores, mas nunca deixem de ser criança.”
O que eu aprendi com Sarah e Dudinha
Aprendi que não existe “muito cedo” para ler, pensar, falar e influenciar. Existe ambiente, exemplo e amor. Aprendi que, se quisermos filhos leitores, curiosos e criativos, precisamos primeiro olhar para o que nós, adultos, fazemos com o nosso tempo e com o nosso celular.
E aprendi, acima de tudo, que navegar é bom, sim. Mas ser criança, inteira, presente, livre, suja de tinta, areia e chocolate, é bem melhor.
Que a coragem dessas duas irmãs inspire pais, educadores e famílias a protegerem o direito sagrado de brincar.
📺 Assista agora ao episódio completo com Sarah Kiesse e Dudinha no YouTube episódio #46
👉 https://youtu.be/4f8TIJ0-M1k?si=9MmD6pdfoFhTFsUX
Gravado nos estúdios da Unimar EAD, apresentado por mim, Cris Silva, em um bate-papo cheio de verdade, empatia e propósito.
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E prepare-se… porque a próxima História será surreal
Com todo meu carinho, Cris Silva
CEO da Ducris | Psicóloga | Mentora de Network com Propósito | Apresentadora do podcast Empodera Aí, Cris!













