Evento contou com participantes do Brasil, Guatemala e México, falou de Indicação Geográfica (IG) e a força da agricultura familiar na produção de cafés especiais
A cafeicultura ao redor do mundo tem reconstruído e fortalecido famílias e tem nas mulheres seu grande diferencial. Assim as representantes da Aliança Internacional de Mulheres do Café (IWCA) do Brasil, México e Guatemala encerraram suas falas durante o Seminário Sustentabilidade e Agregação de Valor na Cadeia do Café, promovido pela Comissão Semeadoras do Agro e pela Comissão de Cafeicultura da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), em parceria com a Guarany e a IWCA. Com histórias de resiliência e empreendedorismo, elas lembraram que hoje são mais de 18 mil membros nos cinco continentes.
O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, ressaltou a importância do café ao longo de toda a história do Brasil. “Antigamente a gente exportava apenas café e açúcar”, frisou, reforçando que o Theatro Municipal e a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo foram doações do setor cafeeiro há mais de 100 anos. Ao longo do tempo o café ampliou a sua importância na economia, dando espaço às commodities e para os cafés especiais, em geral produzidos em agricultura familiar, com toda a expertise que foi sendo passada de geração em geração.
“A Federação foi construída sobre dois pilares importantes da nossa economia: o café e a pecuária. E cidades como Divinolândia e Caconde são um exemplo da força da cafeicultura, onde a maioria das propriedades é pequena, uma agricultura verdadeiramente familiar e com presença marcante de mulheres a frente de todos os elos da cadeia”, explicou Meirelles.
A presidente da Guarany, Alida Bellandi, comemorou que hoje o café é o produto mais comercializado, passando o petróleo. Brasil e Vietnã respondem por mais da metade de toda a produção global do produto, sendo nosso país o maior produtor e exportador mundial. Dos três milhões de produtores em todo o planeta, 300 mil são brasileiros e 40 mil propriedades estão hoje na mão das mulheres, sempre tendo como referência a qualidade e a preocupação com a sustentabilidade, palavra que abre mercados e é sinônimo de rentabilidade no campo.
No primeiro painel o presidente do Sindicato Rural de Caconde, Ademar Pereira, e o pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Celso Vegro, discorreram sobre a importância do café na construção da identidade de muitas cidades paulistas. Já o segundo painel, que reuniu o presidente do Sindicato Rural de Divinolândia, Sérgio Lange, a consultora da Unidade Territorial e Setorial do Sebrae-SP, Flávia Florêncio, e João Paulo Pereira, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, campus de São João da Boa Vista, para falar sobre a importância da Indicação geográfica (IG) na agregação de valor em todas as culturas.
“Então, aqui no Brasil nós temos duas formas de indicação geográfica, que é a indicação de procedência pela localidade de um produto, sua reputação e tradição no local e a denominação de origem. São características exclusivas, tem que ter uma comprovação científica do vínculo entre o produto e o meio de um lugar. Naquele local as características do solo, do clima, influenciam o produto, clima diferente de outros locais. Esse diferencial agrega valor e ressalta a excelência do bem”, disse Pereira.
O encerramento ficou por conta da experiência das representantes da Aliança Internacional Mulheres do Café, que abordaram a importância do trabalho de valorização da participação feminina na cadeia produtiva ao redor do mundo. Criada nos Estados Unidos, a IWCA tem conectado produtoras de todo o mundo, do plantio até a exportação.
“Nós trabalhamos a inovação e regeneração ambiental. A gente sabe que a agricultura regenerativa está em alta, mas o Brasil é um país onde sempre se preocupou com o solo, com a natureza, com o ambiente onde está inserida a propriedade. A bioeconomia integra a sustentabilidade, ciência e inclusão. Através de um projeto que a WCA, junto com a FGV, com o apoio da União Europeia, no programa O Investe Verde, nós trabalhamos fortemente a sustentabilidade durante esses dois, um ano e meio, na verdade. desde junho do ano passado até agora novembro, nós capacitamos mais de 200 propriedades, mais de 200 mulheres sobre o tema e o novo regulamento da União Europeia sobre desmatamento (EUDR)”, concluiu Mariselma Sabbag, presidente da Aliança no Brasil, ao lado de Blanca Castro, da Guatemala, e Beatriz Hernández Escarcega, do México.
Acompanharam o seminário o secretário de Turismo e Viagens, Roberto de Lucena, que falou da força da rota do café para o turismo rural paulista; os diretores Pedro Lucchesi e Marcio Vassoler; a presidente da Comissão Semeadoras do Agro, Juliana Farah; o diretor jurídico Thiago Soares; os gerentes do Departamento Técnico e Econômico, Cláudio Brisolara, e de Sustentabilidade, José Luiz Fontes; além das técnicas Erica Barros e Cris Murgel.













