A trajetória de crescimento da Reag, gestora alvo da PF

Pessoas físicas, empresas, fundos de pensão, investidores institucionais confiam 299 bilhões de reais  à Reag para investir e gerir de acordo com as estratégias da casa mais 500 fundos de investimentos. A gestora foi um dos alvos na Operação da Polícia Federal contra o PCC na manhã desta quinta-feira, 28.  A empresa confirma, em fato relevante divulgado na manhã desta quinta, que é alvo da operação, diz que está colaborando com o processo investigativo em curso e que manterá os investidores informados.

Além de ser a maior gestora independente do Brasil, ou seja sem ligação com bancos, a Reag é também a primeira empresa de gestão de fortunas listada na B3, o que reforça o seu compromisso com “inovação, transparência e excelência no mercado financeiro”, diz o texto no site da gestora, que tem sede na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, na altura da avenida Faria Lima, um dos endereços mais nobres da capital paulista.

O rápido crescimento da gestora fundada em 2012 por João Carlos Mansur chama atenção. Formando em Ciências Contábeis, com MBA em Finanças Corporativas e Administração, e certificado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) como administrador de carteiras e conselheiro de administração, Mansur tem mais de 30 anos de experiência em auditoria, controladoria e planejamento estratégico.

Antes de fundar a Reag, foi executivo em empresas renomadas como PwC, Monsanto, Tishman Speyer Properties, Trump Realty Brazil e WTorre Arenas ( ona do Allianz Parque), tendo se especializado em finanças, auditoria e estratégia. Nos últimos 5 anos o Mansur é o Diretor Presidente da Reag, administradora de fundos que detém mais de 5% do capital social da companhia e ( não exerceu quaisquer cargos e/ou funções na Companhia e em sociedades de seu grupo econômico.

Com estratégia  de expansão baseada em aquisições e diversificação a gestora consolidou, sob a sua liderança, a presença em diversas frentes: de gestão de fortunas, investimentos em empresas privadas, investimentos imobiliários. Mas, nos bastidores da Faria Lima, segundo apurou VEJA, a rapidez  chamava atenção. Os comentários nos bastidores era que não se sabia mais qual o  foco da gestora.

Em 2024, comprou a Empírica Investimentos, especializada em crédito estruturado e FIDCs, operação que a colocou entre as três maiores do segmento, com cerca de 25 bilhões de reais sob gestão. Antes, já havia comprado casas como Hieron, Berkana, Rapier, Quadrante e Quasar.

Ainda 2024, a gestora anunciou o lançamento da plataforma VC/AI, que conecta startups de inteligência artificial a investidores de venture capital, em uma iniciativa considerada a maior do tipo na América Latina. Também desde 2024,  o tradicional Cine Belas Artes, em São Paulo, passou a se chamar Reag Belas Artes após acordo de patrocínio, fortalecendo a marca  também no campo cultural.

Em janeiro deste ano, a Reag adquiriu a GetNinjas por meio de uma operação de incorporação reversa , mais conhecida como reverse takeover. Nesse modelo, a gestora utilizou a estrutura já listada da plataforma de serviços para se transformar em uma holding aberta, que recebeu o nome de Reag Capital Holding. Com a reorganização societária, a GetNinjas deixou de existir como empresa independente, e suas ações na B3 passaram a ser negociadas sob o código REAG3,

Durante cerimônia de abertura de capital a Reag celebrou também sua estreia no Novo Mercado, que é o segmento que exige os mais rigorosos padrões de governança corporativa do mercado brasileiro. A entrada da empresa foi possível após uma reorganização societária que transformou a GetNinjas na holding REAG, com mudança de nome social e migração de operações para dentro da estrutura da gestora. As ações passaram a ser negociadas sob o ticker REAG3

Neste ano, a Reag fez mais uma diversificação e apresentou uma oferta de mais de 500 milhões de reais para assumir 90% da SAF do Vila Nova, em parceria com a Rafatella Investimentos. O plano prevê quitar dívidas de 150 milhões de reais, modernizar o estádio OBA e investir no futebol profissional e de base. O patrimônio do clube permaneceria com a associação, apenas cedido para uso da SAF. A proposta, válida até 30 de setembro, será analisada pelo Conselho Deliberativo.

Atraso na divulgação dos resultados

O avanço, no entanto, trouxe também desgastes. Em maio, a companhia adiou a divulgação dos resultados do primeiro trimestre e do balanço de 2024, levantando dúvidas sobre governança.

Em comunicado divulgado no dia 13, a Reag comunicou ao mercado que adiou a divulgação das informações financeiras do segundo trimestre de 2025, por conta de demora nas demonstrações financeiras de 2024 e dos resultados do primeiro trimestre de 2025, o que causou atraso na revisão dos números do segundo trimestre pelos auditores independentes.

 

 

 

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