Pompeia celebra os 117 anos da imigração japonesa no Brasil e exalta contribuição da comunidade nipônica para o desenvolvimento da cidade

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Por Fala Marília

A cidade de Pompeia foi palco, no último sábado (21), de uma emocionante celebração pelos 117 anos da imigração japonesa no Brasil e pelos 130 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Japão. O evento foi promovido pela Prefeitura e Câmara Municipal de Pompeia, em parceria com a Associação Cultural e Esportiva de Pompeia (ACEP), e teve como objetivo homenagear a cultura, a história e a significativa contribuição da comunidade nipo-brasileira para o progresso do município.

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A cerimônia teve início com falas institucionais que destacaram a importância da data e do legado deixado pelos imigrantes japoneses no Brasil desde a chegada do navio Kasato Maru, em 1908, trazendo os primeiros 781 imigrantes em busca de novas oportunidades. Desde então, a presença japonesa no país transformou-se em uma das maiores comunidades nikkeis do mundo, com mais de 2,7 milhões de descendentes espalhados pelos estados brasileiros.

Durante a solenidade, o prefeito Diogo Ceschin ressaltou que “celebrar os 117 anos da imigração japonesa é também celebrar as raízes de Pompeia. O que somos hoje enquanto cidade se deve, em grande parte, ao trabalho, à disciplina e ao espírito colaborativo trazido por essas famílias”.

Em Pompeia, nomes como Nishimura, Suga, Tanaka, Suzuki, Ura e Iwamoto foram lembrados por sua influência na formação de uma cidade alicerçada em valores como respeito, dedicação, responsabilidade social e convivência pacífica. A comunidade nipo-brasileira local, segundo as autoridades, tem papel fundamental no desenvolvimento econômico e social do município, atuando em setores como o comércio, a indústria e a agricultura.

Homenagem a Tokuji Suga

Um dos momentos mais marcantes do evento foi a homenagem prestada ao senhor Tokuji Suga, membro da tradicional família Suga. Tokuji chegou ao Brasil em 28 de dezembro de 1951 e estabeleceu-se em Pompeia em 5 de janeiro de 1970, onde construiu sua trajetória de trabalho e dedicação. Com 94 anos, ele é o imigrante japonês mais idoso residente na cidade.

O prefeito entregou a Tokuji uma placa em reconhecimento à sua história e à contribuição de sua família para a formação da identidade de Pompeia. Casado com Atsuko Suga (in memoriam), ele teve três filhos – Hélio, Jorge e Nina –, quatro netos e três bisnetos.

Plantio simbólico de cerejeiras

Encerrando a celebração, foi realizado o plantio simbólico de mudas de cerejeiras, árvore símbolo da cultura japonesa, representando delicadeza, renovação e o elo entre Brasil e Japão. A cerimônia emocionou os presentes e reforçou os laços de amizade entre as culturas.

Tradição e futuro

A celebração também trouxe depoimentos de descendentes e lideranças da comunidade nipônica. Jorge Suga, filho de Tokuji, relembrou a trajetória da família e destacou que a colônia japonesa contribuiu de forma decisiva para o progresso da cidade, especialmente nos campos da educação, valores morais e culinária.

Kahori Miyasato

A senhora Mitiko Sasaki, uma das guardiãs da tradição, contou como se empenha em manter vivas práticas culturais como a cerimônia do chá, o ikebana (arranjo floral), as danças japonesas e até o karaokê, despertando o interesse inclusive de brasileiros sem ascendência japonesa.

Já a senhora Kahori Miyasato ressaltou o contexto histórico da imigração, que foi impulsionada pela difícil situação social e econômica do Japão no início do século 20, coincidindo com a necessidade brasileira de mão de obra. Segundo ela, a imigração beneficiou ambos os países e trouxe transformações duradouras, apesar das dificuldades enfrentadas pelos imigrantes no início da jornada.

Mitiko Sasaki

Reconhecimento e integração

A celebração promovida em Pompeia foi mais do que uma simples festividade:

“Foi um reconhecimento público da importância da imigração japonesa para o Brasil e, especialmente, para a história e identidade da cidade. Em um tempo marcado por desafios sociais e culturais, o evento reafirmou valores fundamentais como disciplina, respeito e união, legados que os imigrantes japoneses deixaram e que continuam moldando gerações”, agradeceu Ceschin.

Com forte presença e participação ativa da colônia japonesa, Pompeia mostrou, mais uma vez, que honra suas raízes ao mesmo tempo em que constrói, com respeito à diversidade, um futuro promissor.

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